
CRÉDITO – Imagem gerada por IA, com licença para uso editorial LEGENDA – Domínio chinês das exportações de veículos equipados com motores a combustão deve crescer, nos próximos anos, pressionando ainda mais as velhas montadoras ocidentais com lançamentos desenvolvidos por inteligência artificial, cada vez mais eficientes e acessíveis; programa que faz parte do 15º Plano Quinquenal governamental vai injetar até R$ 6,8 trilhões na indústria local de inteligência artificial: “Não há transição, é preciso frisar para que todos possam entender. É uma revolução”, alerta o economista e secretário-geral da Organização Internacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (OICA), François Roudier
A aplicação da IA na indústria automotiva chinesa está até mesmo ressuscitando uma tecnologia que, aparentemente, a China estaria relegando ao passado: os motores a combustão interna. A inteligência artificial está otimizando o desempenho deste tipo de propulsor, acelerando o desenvolvimento de unidades de controle eletrônico (ECUs) mais avançadas e elevando a eficiência térmica para uma média de 45%, podendo ultrapassar 50% até 2030. “A IA disponibiliza dados em todas as etapas da cadeia de valor, permitindo decisões mais assertivas e tornando a manufatura mais adaptável, eficiente e sustentável. A curto prazo, os modelos a gasolina manterão participação de mercado e coexistirão com os veículos de novas energias (NEVs)”, afirma o presidente-executivo (CEO) da Geely Auto, Gan Jiayue. O grupo, que saltou da 11ª para a nona posição no ranking mundial, em 2025, com alta de 26% nas vendas e 4,1 milhões de unidades, é dono das marcas Volvo, Zeekr, Lynk & Co, Proton e de parte das operações da Renault na Coreia do Sul e no Brasil.
O executivo destaca os US$ 7,7 bilhões aplicados junto com a Renault, no desenvolvimento e produção de motores híbridos e a combustão interna de última geração – equivalentes a R$ 37,6 bilhões ou quase 80% da capitalização de mercado da própria Renault. “Os motores a combustão continuam sendo uma parte muito importante do mercado global, representando mais de 50% das vendas totais de automóveis, e a Geely continuará investindo no seu desenvolvimento”, garante Jiayue. Quando combinada com o uso de combustíveis neutros em carbono, como metanol e hidrogênio, a IA levará a uma redução significativa das emissões.
Como até as obviedades precisam ser lembradas, não se pode esquecer que motores a combustão interna ainda são necessários para os modelos híbridos, sejam eles sem recarga externa e até mesmo os plug-in. Há também a chamada “paridade em inteligência”, que se expressa nos investimentos em softwares, painéis de instrumentos inteligentes, sistemas de assistência ao motorista e outras funcionalidades que equiparam a percepção dos usuários, evitando que eles enxerguem os automóveis tradicionais como totalmente ultrapassados, diante dos EVs. “A virada da eletromobilidade progride de forma mais lenta em muitos mercados globais e com tantos consumidores que ainda preferem os motores a combustão, continuaremos investindo no seu aprimoramento”, pondera o diretor de tecnologia da Great Wall Motor (GWM), Wu Huixiao.
Ademais, os titãs chineses dominarão as vendas de modelos equipados com motores a combustão de baixa e média gama, nos próximos anos. Hoje, a China já é o maior exportador de automóveis do mundo em volume, entrando em mercados emergentes justamente com modelos a combustão – com 4,3 milhões de unidades, em 2025, este tipo de motorização respondeu por 2/3 de todos os envios. “Fabricantes como Dongfeng, SAIC, Changan e BAIC operam fábricas enormes, dimensionadas para produzirem até 30 milhões de modelos com motores a combustão, todos os anos. Em vez de fecharem ou adaptarem essas instalações para NEVs, uma medida cara e politicamente delicada, elas optam por exportar estes veículos”, explica o ex-vice-ministro da Indústria chinês, Su Bo.
Como o leitor pode ver, as novas gigantes chinesas estão inundando os países emergentes com automóveis a combustão e apenas esperando o fortalecimento das infraestruturas nacionais de recarga, para garantirem o domínio completo a longo prazo com seus híbridos e EVs. Enquanto isso, vão instituindo suas marcas, globalmente, oferecendo aos clientes um leque de produtos capaz de atender demandas pontuais de cada região e cada país.
Homero Gotardello








