5º Plano Quinquenal e vai injetar até R$ 6,8 trilhões na inteligência artificial; motores a combustão ganham sobrevida
CRÉDITO – Imagem gerada por IA, com licença para uso editorial LEGENDA – Domínio chinês das exportações de veículos equipados com motores a combustão deve crescer, nos próximos anos, pressionando ainda mais as velhas montadoras ocidentais com lançamentos desenvolvidos por inteligência artificial, cada vez mais eficientes e acessíveis; programa que faz parte do 15º Plano Quinquenal governamental vai injetar até R$ 6,8 trilhões na indústria local de inteligência artificial: “Não há transição, é preciso frisar para que todos possam entender. É uma revolução”, alerta o economista e secretário-geral da Organização Internacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (OICA), François Roudier
A crise dos semicondutores, escassez global de circuitos integrados que, entre 2020 e 2023, provocou grandes cortes de produção na indústria automotiva, terá em breve a mesma evocação da guerra do fogo, luta pré-histórica dos humanos pela preservação de uma matriz energética – o próprio fogo – que não conseguiam produzir, durante o Paleolítico. É que o gargalo comercial criado pelos Estados Unidos para chips usados na produção de veículos, que custou US$ 210 bilhões (o equivalente a R$ 1,03 trilhão) para o setor no primeiro ano de crise e encareceu os zero-quilômetro em 15%, está prestes a ser superado pelas empresas de tecnologia chinesas, que criarão uma nova cadeia de suprimentos, impondo mais um revés às antigas montadoras ocidentais. “Os velhos fabricantes parecem não se dar conta de que, na China, já não existe distinção entre uma empresa de tecnologia e uma montadora. Os chineses usam a inteligência artificial (IA) para desenvolver, muito mais rapidamente, automóveis melhores e mais eficientes”, pontua o presidente da Dongfeng Motor, uma das “Big Four” estatais do país, e presidente do comitê de gestão da Nissan para China, Stephen Ma. “A dependência atual em relação a semicondutores de ponta já está sendo quebrada”, acrescenta Ma.
O executivo está se referindo ao 15º Plano Quinquenal (2026-2030) do governo chinês, divulgado no início deste ano, que vai injetar até 9,5 trilhões de yuans (R$ 6,8 trilhões) na indústria local de inteligência artificial com o projeto “IA Plus”, para incorporação da nova tecnologia em praticamente todos os outros setores da sua economia. Na prática, isso quer dizer que o Dragão Asiático, que levou apenas 25 anos para dominar completamente o mercado de veículos elétricos (EVs), está pronto para uma nova disrupção, transformando esses EVs em automóveis autônomos (AVs) com funções executadas por chips e softwares “made in China”. Para isso, o investimento governamental em pesquisa e desenvolvimento subirá em mais de 7% e a economia digital irá a 12,5% do produto interno bruto (PIB), acelerando a biotecnologia e a energia verde.
“As montadoras chinesas estão tão avançadas que promovem uma revolução na indústria automotiva global”, afirma o economista e secretário-geral da Organização Internacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (OICA), espécie de Anfavea internacional fundada há mais de 105 anos em Paris, François Roudier. “Não há transição, é preciso frisar para que todos possam entender. É uma revolução”, alerta. “Os lançamentos da Xiaomi e da Xpeng, por exemplo, já embarcam recursos de IA como assistentes de voz avançados capazes de realizar tarefas além da condução, como fazer reservas em restaurantes”, exemplifica Roudier.
A Huawei, gigante da tecnologia que compete com a Apple e a Samsung no mercado de smartphones, anunciou que investirá mais de US$ 10 bilhões (o equivalente a R$ 49 bilhões, mais do que o valor de mercado da Renault, da própria Nissan, da Volvo Car, da Mitsubishi Motors e quase 20 vezes o da Aston Martin) em condução autônoma, só nos próximos cinco anos. “A China já lidera, amplamente, o mercado de EVs e o fornecimento de baterias, mas esta nova ofensiva em IA, impulsionada por políticas governamentais, vai pressionar ainda mais as marcas tradicionais. Afinal, um carro cuja conveniência vá bem além do que ‘simplesmente’ ir sozinho do ponto A ao ponto B, provavelmente atrairá muitos compradores. Embora alguns entusiastas possam resistir à mudança, a IA está remodelando diversos setores”, avalia o presidente da Dongfeng Motor e do comitê de gestão da Nissan para China, Stephen Ma.
Homero Gotardello








