Geely estreia submarca com microEV, com alcance de 200 km. Preço de R$ 27,4 mil mostra que chineses não estão para brincadeira

Em termos comparativos, o Livan Smurf é 10% mais caro que uma NXR 160 Bros, da Honda, e que pode parecer uma comparação descabida tem uma razão muito simples: na ponta do lápis, o Smurf consome 8,3 kWh de eletricidade para cada 100 km rodados, o que equivale a 94,3 km/l de gasolina (sem adição de álcool anidro), uma autonomia pelo menos duas vezes superior aos 47 km/l da NXR 160 Bros; motor elétrico de 30 kW (40 cv) é o mesmo do Panda Mini EV, da Geely, e a boa notícia é que para recuperar a carga do pacote de baterias, a partir de 30% até 80% de sua capacidade, são necessários apenas 30 minutinhos.
CRÉDITO – Fotos LIVAN/GEELY
A aparência e até mesmo o nome do novo Livan Smurf podem levar o leitor, habituado às pegadinhas da desinformação, a crer que esta é mais uma notícia falsa. Mas o microEV que a Geely acaba de apresentar atrás da Grande Muralha, por meio de sua nova submarca, é real e prova que os chineses não estão mesmo para brincadeira, a começar pelo preço inacreditável de 36 mil yuans (o equivalente a R$ 27,4 mil).
Não é preciso ser um ‘expert’ automotivo para saber que, das mais de 120 marcas chinesas que produzem modelos totalmente elétricos e híbridos plug-in, só se vê a ponta do iceberg que já rasgou o Titanic das antigas montadoras ocidentais. Com todas fazendo água, fica fácil entender os prejuízos estratosféricos e as perdas bilionárias de capitalização de mercado: nenhuma das gigantes que seguem empurrando automóveis equipados com motores a combustão interna é capaz de competir de igual para igual com as gigantes de novas energias que emergem da China. Tomemos o carrinho azul das fotos, como exemplo!
Com 3,10 metros de comprimento, o Livan Smurf é 63 cm menor que um Renault Kwid, e tem uma distância entreeixos 41 cm inferior (são 2,01 m, no Smurf, contra 2,43 m, no Kwid). Em outras palavras, trata-se de uma solução para mobilidade individual, em que pese o fato de haver um diminuto banco traseiro – todavia e como no Suzuki Jimny, no microEV o usuário deve optar entre ter um pequeno porta-malas ou levar alguém “enlatado” atrás. Seus 1,55 m de largura (20 cm menor que o subcompacto da Renault) e 1,61 m de altura completam as medidas do simpático carrinho, que pesa apenas 815 quilos – sua capacidade de carga é de 310 kg, ou seja, leva dois adultos e pouca bagagem, afinal, são só 69 litros de capacidade volumétrica.

Fotos LIVAN/GEELY
Em termos comparativos, o Livan Smurf é 10% mais caro que uma NXR 160 Bros, da Honda. Pode parecer uma comparação descabida, mas estamos falando de um microEV que, além de mais seguro que uma motocicleta, é muito mais econômico. Na ponta do lápis, o Smurf consome 8,3 kWh de eletricidade para cada 100 km rodados, o que equivale a 94,3 km/l de gasolina (sem adição de álcool anidro), uma autonomia pelo menos duas vezes superior aos 47 km/l da NXR 160 Bros – e seis vezes superior aos 14,6 km/l do Kwid Intense 1.0. Uma limitação do lançamento da Livan é sua velocidade máxima de 100 km/h, que atende a regulamentação chinesa para sua classe, que lá é denominada LSEVs, e que deixa mais do que patente que se trata de um urbanoide, de um meio de transporte para megalópoles.
Um detalhe interessante para quem acompanha os lançamentos chineses há mais tempo, é que a Livan surgiu, em 2022, a partir da aquisição da Lifan – conhecida no Brasil por automóveis e motocicletas – pela Geely e sua fusão com outra subsidiária, esta última totalmente desconhecida por aqui, da holding.
Alcance e recarga
Ao contrário dos mais recentes lançamentos da NIO, da Xpeng, da Zeekr e da Xiaomi, além da titânica BYD, o Livan Smurf passa longe de ser um superEV. Pelo contrário, este é um microcarro bastante simples, na verdade, uma espécie de versão rebatizada do Panda Mini EV, da própria Geely, que já apresentamos em todos os seus detalhes. Ambos concorrem no mesmíssimo nicho do Hongguang Mini EV, da Wuling, que é o líder de vendas do segmento de entrada, na China, há anos – o QQ Icrecream, da Chery, e o Bestune Pony são outros concorrentes de destaque. Apesar de sua ficha técnica completa não ter sido revelada, o “azulzinho” – não confundir com o estimulante sexual capaz de transformar muito subcompacto e picape com rodado duplo – deve herdar o trem de força do primo, o que significa que sua autonomia, sem necessidade de recarga das baterias, será de 200 quilômetros.
O motor elétrico de 30 kW (40 cv) também será o mesmo do Panda Mini EV e a boa notícia é que para recuperar a carga do pacote de baterias, a partir de 30% até 80% de sua capacidade, são necessários apenas 30 minutinhos. A duas telas de 8 polegadas e 9,2 pol, bem como o volante multifuncional, também são idênticas e, sendo um pouquinho mais caro que a versão de entrada do primo, o Livan Smurf conta com rodas de liga leve de 14 polegadas, contra 13 pol do Geely, e freios ABS de série – duplo airbag, controle de estabilidade (ESP) e câmera de ré poderão ser ofertados, opcionalmente.

Fotos LIVAN/GEELY
A Livan está presente em poucos mercados, nominalmente em alguns países do Oriente Médio, no México e no Chile, além da China – claro. Portanto, esperar pelo desembarque do Smurf ou do próprio Panda Mini EV por aqui é de um otimismo injustificável. Primeiro, porque o Brasil não tem uma legislação específica para esta classe de veículo e, segundo, porque o brasileiro médio foi capturado pela imbecilização e, sequestrado espiritualmente, não consegue entender que um modelo como este não compete com o antigo Ford Ka, nem com o Fiat 500 e nem com o Smart ForTwo – na verdade, seu concorrente seria o Gurgel Itaipu, um microEV de 2,65 m, desenvolvido nacionalmente e apresentado em 1974, portanto há 51 anos, mas que não vingou.
Em outras palavras, a mesma falta de horizonte que fez com que um projeto revolucionário de mobilidade fosse esquecido, há meio século, impedindo o Brasil de assumir uma posição de liderança na virada da eletromobilidade, segue no Século 21.










