Bateria Fortress 2.0, que permite até 400 km de alcance no modo elétrico para híbridos plug-in, e conjunto i-HEV, certificado para médias de 45 km/l, antecipam fim dos modelos a combustão
Na semana de abertura do Salão do Automóvel de Pequim (Beijing Auto Show), o maior do mundo, que neste ano saltou de 220 mil para 380 mil metros quadrados de área de exibição, as gigantes chinesas Great Wall (GWM) e Geely jogam a “pá de cal” nas antigas montadoras ocidentais com a apresentação de duas novidades que, tecnicamente, antecipam o fim dos modelos a combustão. A nova bateria Fortress 2.0, que permite até 400 quilômetros de alcance exclusivamente no modo elétrico para híbridos plug-in, e o inédito trem de força i-HEV Intelligent Energy, certificado pelo “Livro dos Recordes”, o “Guinness Book”, para médias de até 45 km/l, reafirmam os fabricantes chineses como referência global do setor automotivo, anos-luz à frente das marcas tradicionais, com padrões de eficiência simplesmente inalcançáveis para as velhas montadoras. “Adotamos um sistema altamente integrado para ganhoS de densidade energética introduzindo uma tecnologia de supercarregamento com pico de 6C, para uma recuperação de 10% a 80% da carga em 10 minutos, mantendo proteção redundante para estabilidade térmica, de tensão e corrente”, detalha o presidente-executivo (CEO) da Svolt Energy, Yang Hongxin.
A Svolt se tornou independente da GWM em 2018, mas segue como seu principal fornecedor de baterias de alta densidade. Reconhecida pela química sem uso de cobalto para células, que chega a reduzir o custo de produção em até 15%, a empresa registrou, no ano passado, o maior e mais rápido crescimento (mais de 85%) entre os dez maiores fabricantes do segmento, alcançando uma participação de 2,5% num mercado (respeitáveis 7,5%, no nicho de células NMC) que é amplamente dominado pela CATL e pela BYD, que responderam por quase 70% das instalações em veículos elétricos (EVs), no primeiro trimestre deste ano.
“Estruturalmente, a Fortress 2.0 adota um composto pultrudado, atingindo mais que o dobro do padrão de resistência à compressão por impacto lateral, sendo imune ao fogo ou explosões no teste de extrusão de três lados de célula única, e representando um inquestionável salto de segurança para híbridos plug-in e EVs”, enfatiza Hongxin. Seus grandes motes, no entanto, são a maior capacidade (80 kWh, ante 59 kWh de sua antecessora) e uma autonomia elétrica para híbridos plug-in do segmento ‘D’, como o BYD Tang, o Chery Tiggo 7 e o Omoda 7, que chega a ser superior à de muitos EVs puros, com recarga ultrarrápida – no mercado chinês, o segmento ‘D’ corresponde ao dos sedãs e SUVs grandes –.
No caso dos modelos mencionados, a adoção da Fortress 2.0 para suas respectivas versões híbridas plug-in significaria cerca de 200 km adicionais com um intervalo de recarregamento de apenas cinco minutinhos.
Impensável!

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LEGENDA – Gigantes chinesas Great Wall (GWM) e Geely jogam a “pá de cal” nas antigas montadoras ocidentais com a apresentação de duas novidades que, tecnicamente, antecipam o fim dos modelos a combustão: a nova bateria Fortress 2.0, que permite até 400 quilômetros de alcance exclusivamente no modo elétrico para híbridos plug-in, e o inédito trem de força i-HEV Intelligent Energy, certificado pelo “Livro dos Recordes”, o “Guinness Book”, para médias de até 45 km/l; fundamentos das novas marcas de trás da Grande Muralha são inalcançáveis para grupos envelhecidos, como a Volkswagen, e altamente financeirizados, como a Stellantis, cujo único ativo aproveitável é a rede de distribuição
Já a Geely recorreu à certificação do “Livro dos Recordes” para apresentar a nova geração do seu trem de força i-HEV, denominada Intelligent Energy e apontada como referência global em eficiência para híbridos leves. O conjunto será implementado no Geely Monjaro (Xingyue L, na China) e no Preface (Xingrui, por lá) e, aqui, cabe sublinhar que trata-se de uma motorização híbrida sem recarga externa, que combina um propulsor turboalimentado 1.5 litro 16V (Fire Tornado, com 500 bar de pressão) de aproveitamento térmico (mais de 48%) recorde a uma unidade elétrica para potência combinada de 313 cv. Apesar de não possuir recarga externa como nos híbridos plug-in, o conjunto permite condução no modo puramente elétrico por até 66 quilômetros – algo impensável até agora. Completa o sistema a transmissão híbrida dedicada (DHT) de três velocidades, que conta com modos de operação em série e paralelo, para constância na zona de operação de máxima eficiência.
Na vida real, o sedã Preface i-HEV faz médias de 25,1 km/l, valor que está bem distante dos 45 km/l do recorde, mas que fica muito acima – é 43% superior – dos 17,5 km/l do Corolla Hybrid, da Toyota, cuja potência combinada é de modestíssimos 122 cv (191 cv a menos, que o Preface) e cuja autonomia no modo elétrico nunca ultrapassa 1,5 quilômetro (44 vezes menor). “Hoje, o consumidor exige muito mais do que baixo consumo de combustível. Ele quer potência, controle inteligente, adaptabilidade a diferentes cenários e, principalmente, uma boa relação custo/benefício”, pontua o CEO do Geely Auto Group, Gan Jiayue.
Na verdade, a marca chinesa acaba de reinaugurar o segmento dos híbridos leves, com a passagem da expertise mecânica para a capacidade eletrônica do sistema, justamente onde as novas marcas chinesas têm maior domínio e, em decorrência disso, mais capacitação para inovarem. O lançamento da motorização híbrida i-HEV da Geely sinaliza uma mudança na forma como as montadoras chinesas encaram este tipo de conjunto, aprimorando a tecnologia em um contexto de inteligência (algoritmos do software) e eletrificação (gerenciamento de energia).
“Hoje, o mercado chinês se destaca como o mais diversificado, ferozmente competitivo e de evolução mais rápida do mundo, com múltiplas rotas tecnológicas em paralelo, uma cadeia de suprimentos totalmente integrada e capacidades superiores de iteração”, afirma Jiayue. “A capacidade técnica é a base das nossas ambições globais e se, antes, buscávamos respostas, agora as fornecemos. A força da nossa engenharia está transformando o impossível em possível”, completa o executivo.
A expansão global das montadoras chinesas, em confronto direto com as antigas marcas ocidentais e com os fabricantes japonesas e sul-coreanos, cria um cenário inevitável: as gigantes tradicionais se globalizaram e consolidaram suas operações internacionais, mas as novas montadoras de trás da Grande Muralha já oferecem produtos indiscutivelmente superiores e, o melhor, por preços mais competitivos. Seus fundamentos inalcançáveis para grupos envelhecidos, como a Volkswagen, e altamente financeirizados, como a Stellantis, cujo único ativo aproveitável é uma rede de distribuição intercontinental que, depois de anos de espoliação, parece pronta para abandoná-las. Torço por isso!








