Maior, 4,5 vezes mais eficiente, potência de até 550 cavalos, o novo carro chinês é 80% mais barato que o alemão

Novo i6, da Li Auto: as duas variantes com tração traseira (RWD) são equipadas com o mesmíssimo motor elétrico de 335 cv (250 kW), enquanto a com tração integral (AWD) traz uma unidade adicional de 200 cv (150 kW) para aceleraR de 0 a 100 km/h em menos de 4 segundos – nada mau para um e-SUV de 2,5 toneladas; no capítulo motorização, vale destacar o uso de carboneto de silício (SiC) e, por falar em porte, o Li i6 tem preço de “SUVinho” nacional, mas medidas de “SUVão” importado: são 4,95 metros de comprimento, 2 cm maior que um X5 XDrive50e M Motorsport, da BMW – Crédito: FOTOS Li Auto com licença para uso editorial

Fundada em 2015, portanto há apenas dez anos, a Li Auto é uma das mais bem-sucedidas marcas chinesas de novas energias, ocupando a oitava posição entre as líderes de mercado no país neste segmento. Na última década, a montadora de Changzhou viu suas vendas saltarem de 33,4 mil unidades anuais para mais de 500,5 mil unidades, no ano passado. “Replicando o sucesso de seus modelos de alcance estendido (EREVs) com novos EVs, a Li Auto deve ganhar participação de mercado e reafirmar a vantagem que possui, hoje, em relação a outras startups da eletromobilidade”, avalia o professor da Escola de Engenharia Automotiva da Universidade de Tongji, Zhu Xican, comparando-a a NIO e Xpeng. “A escala, o volume de produção e vendas, é muito importante para a sobrevivência das novas marcas neste ecossistema, porque os custos de desenvolvimento são muito altos. A Li Auto é uma referência positiva e lidera a corrida para alcançar os dois milhões de unidades anuais, que vejo como uma linha de corte a médio prazo”, complementa Xican.

Portanto, o leitor não deve se importar com o fato de não conhecer a Li Auto, porque o que realmente conta para você ganhar “quilometragem” em veículos de novas energias é o conhecer os detalhes do novíssimo i6, que chega aos concessionários chineses ainda neste mês. Trata-se do novo e-SUV da marca, seu modelo mais acessível, capaz de rodar até 720 quilômetros sem necessidade de recarga das baterias. Com preço inicial de 200 mil yuans (o equivalente à pechincha de R$ 151.745), o lançamento chega em três versões, todas equipadas com baterias (FLP) de fosfato de ferro-lítio 5C que garantem mais 500 km de alcance com apenas 10 minutinhos de carregamento rápido.

As duas variantes com tração traseira (RWD) são equipadas com o mesmíssimo motor elétrico de 335 cv (250 kW), enquanto a com tração integral (AWD) traz uma unidade adicional de 200 cv (150 kW) para acelerar de 0 a 100 km/h em menos de 4 segundos – nada mal para um e-SUV de 2,5 toneladas. No capítulo motorização, vale destacar o uso de carboneto de silício (SiC) e, por falar em porte, o Li i6 tem preço de “SUVinho” nacional, mas medidas de “SUVão” importado: são 4,95 metros de comprimento (é 2 cm maior que um X5 XDrive50e M Motorsport, da BMW), 1,93 m de largura e 1,65 m de altura, com distância entreeixos de 3,00 m – suas enormes rodas têm aro 20 ou 21, dependendo da versão. E por falar no X5, o lançamento chinês também leva vantagem em força, com até 535 cv de potência, contra 490 cv do híbrido plug-in da BMW.

Em termos de eficiência não dá para compará-los. Afinal, enquanto o Li i6 tem consumo médio de eletricidade (21,1 kWh a cada 100 quilômetros) equivalente a 42,2 km/l de gasolina sem adição de álcool anidro, o X5 XDrive50e M Motorsport tem médias declaradas de 9,2 km/ e 9,9 km/l, respectivamente para ciclos urbano e rodoviário. Na ponta do lápis, significa que o sujeito que paga R$ 840 mil (5,5 vezes mais) pelo BMW vai “gastar” um i6 novinho a cada 220 mil km rodados, só com combustível – tomando como base o custo por quilômetro rodado de R$ 0,67, com base no preço médio de R$ 6,17 para o litro da gasolina, divulgado pela Petrobras para o período entre 31 de agosto e 6 de setembro. Vendo estes números, até mesmo o leitor menos entendido percebe o porquê de as antigas marcas europeias estarem em uma situação capitular.

Condução semiautônoma

Não bastasse custar 80% menos e ser 4,5 vezes mais eficiente, o lançamento da Li Auto é, também, mais avançado em termos tecnológicos do que qualquer BMW de que se tem notícia. Seus sistemas de assistência incluem radar LiDAR, uma sopa de letrinhas completa (ACC, LKA, TSR, AEB e por aí vai), navegador urbano NOA com condução semiautônoma, capaz de reconhecer cruzamentos, pedestres, sinais de trânsito e semáforos, bem como mudar de faixas e estacionar sozinho – outro recurso, o AES, bloqueia interferências nos sinais de satélite, garantindo mais confiabilidade para toda a eletrônica embarcada. Some a isso a tela de controle central flutuante e o assistente inteligente Mind GPT, com interação multimodal e comandos tanto por voz quanto por gestos – trata-se de um nível de inteligência artificial (IA) que faz o BMW parecer um automóvel “neolítico”.

Nos últimos cinco anos, a capitalização de mercado da Li Auto saltou de US$ 16,2 bilhões para US$ 32,4 bilhões (+100%), enquanto o valor de mercado da BMW encolheu de US$ 81,1 bilhões para US$ 60 bilhões (-25%), nos últimos dois anos. Apenas para o leitor ter uma ideia do abismo que separa o negócio automotivo da marca chinesa do antigo modelo produtivo de marcas bastante conhecidas, hoje, a Li Auto vale mais do que Subaru, Renault, Nissan, Volvo e Mitsubishi – inclusive, mais que estas três últimas, somadas. A companhia chinesa deve, até o final deste ano, ultrapassar a gigante Stellantis e, isso, levando em conta que as ações do grupo franco-ítalo-americano com sede na Holanda, que é dono da Fiat, da Jeep, da Peugeot e Citroën, dentre 14 marcas, custam três vezes menos.

Mas de volta ao i6, merece destaque sua arquitetura elétrica de 800 volts e o fato de, até o ano passado, a marca focar apenas nos EREVs – se você não sabe o que é isso, está na hora de rever seus conceitos. Ou seja, o novo e-SUV será apenas o terceiro EV de sua história e o segundo do portfólio atual, ao lado do Mega MVP.

Também vale citar que a Li Auto espera ampliar seu volume anual de vendas, até dezembro, para 640 mil unidades, e que, só no primeiro semestre, suas comercializações cresceram 8% – aqui, cabe sublinhar que a marca não está presente oficialmente na Europa, mas que considera os principais mercados do Velho Continente para um plano de expansão que rearranjará seu mix comercial, em que as exportações responderão por 30% de suas vendas. Infelizmente, o Brasil não faz parte deste planejamento, o que nos manterá apartados de todo este avanço, facilitando a desova pelas antigas montadoras de modelos ultrapassados com motores a combustão.