No Brasil, plano de investimento de R$ 30 bilhões contempla apenas MHEVs de 12V e 28V, que são híbridos.

CRÉDITO – FOTO/STELLANTIS e projeção feita por IA, ambas com licença editorial
LEGENDA – No Brasil, plano de investimento de R$ 30 bilhões (o equivalente a US$ 6 bilhões) contempla apenas MHEVs de 12V e 28V, que são “híbridos” sem tração elétrica e que, a rigor, nem são considerados veículos eletrificados
A Stellantis anunciou, nesta terça-feira (19/5/26) que lançará um compacto 100% elétrico com preço na casa dos 15 mil euros (o equivalente a menos de R$ 77 mil), em 2028. Antes que o brasileiro apaixonado por carros saia pela rua, pulando de alegria, é bom frisar que o “E-Car” – codinome do modelo – não deve desembarcar por aqui, nem em um futuro distópico. O novo EV será produzido na fábrica italiana da Stellantis em Pomigliano d’Arco, no sul do país, onde também são montados o Panda e o Tonale, este segundo um “SUVinho” da Alfa Romeo. Por aqui, o plano de investimento de R$ 30 bilhões (o equivalente a US$ 6 bilhões) contempla apenas micro-híbridos (MHEVs) de 12V e 28V, que são “híbridos” sem tração elétrica, com motorização abaixo de 60V e que, a rigor, nem são considerados veículos eletrificados. Na Europa, a Fiat espera reviver o segmento de entrada em que os minicarros vieram encolhendo, desta vez apostando em um produto para “bater de frente” com o novo Twingo EV, da Renault.
“A própria Leapmotor, que é uma de nossas marcas, tem impulsionado nossas vendas entre os veículos de novas energias e nossos clientes pedem o retorno de compactos e subcompatos que sejam acessíveis e, ao mesmo tempo, ecologicamente corretos”, comenta o presidente-executivo (CEO) da Stellantis, Antonio Filosa, que apresentará o primeiro plano estratégico de sua gestão na próxima quinta-feira, dia 21, nos Estados Unidos – aqui, está dada a deixa de que as marcas norte-americanas é que receberão os maiores aportes, já antecipados em o equivalente a R$ 65,5 bilhões.
Sobre a Leapmotor, é importante deixar claro o controle da Stellantis é exercido por meio da participação acionária de 21% na empresa controladora, com dois assentos no seu Conselho de Administração (presidido pelo fundador da marca, Zhu Jiangming), e dos 51% que detém na joint venture denominada Leapmotor International (LPMI). No caso da LPMI, a participação majoritária dá direitos exclusivos à Stellantis para nomear o CEO da joint venture (no caso, Tianshu Xin, que acumula a direção de operação do grupo, atrás da Grande Muralha), para fabricar, exportar e vender os produtos da Leapmotor globalmente, exceto na China.
Há urgência
Posto isTo e de volta ao “E-Car” que nunca chegará ao Brasil, o leitor adulto percebe que o objetivo da Fiat com o novo EV não é concorrer com os da BYD, com os da Geely ou de qualquer outra gigante chinesa mas, apenas e tão somente, garantir o futuro da fábrica de Pomigliano, que tem capacidade instalada para produzir 300 mil automóveis por ano, mas que, segundo os sindicatos italianos, só produziu 135 mil unidades em 2025, a maioria deles Pandas. Acontece que o Panda europeu tem um ciclo de vida que se encerra daqui quatro anos, então é preciso garantir que a planta no sul da Itália siga operando – quiçá, com pleno emprego. “Na verdade, há urgência de medidas regulatórias para que o setor automotivo europeu volte a crescer, porque, sem crescimento, fica muito difícil pensar em investir e, sem aportes adicionais, é difícil construir uma cadeia de suprimentos”, pontua Filosa.
O CEO não abordou a possibilidade de o novo EV da Fiat pertencer a uma nova classe de veículos, como a que o todo-poderoso da Stellantis, John Elkann, presidente do seu Conselho de Administração, e o ex-CEO da Renault, Luca de Meo, haviam instado à União Europeia. Esse novo segmento acomodaria compactos “populares” com uma flexibilização – vulgo, precarização – das regulamentações de segurança, potência e dimensões. De Meo chamava essa nova classe de “kei cars” europeus, em alusão aos subcompactos japoneses de cilindrada limitada, mas a Comissão Europeia se limitou a oferecer supercréditos para EVs fabricados no continente, com 4,2 m ou menos.







