Marcio Leite, presidente da Anfavea, diz que é preciso romper a barreira de dois milhões de veículos/ano

Ao fazer o balanço de 2022 e traçar a projeção do setor para este ano, Marcio Leite, presidente da Anfavea, disse que a marca de dois milhões de carros (volume de 2022 e que deverá ser repetido este ano) está abaixo da potencialidade do mercado brasileiro. Por isso, é preciso tomar medidas para que a produção e as vendas voltem a crescer.

“Dois milhões de carros é um mercado muito fraco, muito aquém da potencialidade do Brasil”, disse o dirigente, lembrando que a indústria já produziu 3,8 milhões de veículos, em 2013, época em que as previsões ainda eram mais auspiciosas, projetando para 4,5 milhões de carros para os anos seguintes.

“Precisamos romper a barreira dos dois milhões, estagnada há três anos”, disse, lamentando que as altas taxas de juros impedem o aumento das vendas, mesmo considerando que a produção será retomada, em parte, em 2023, graças ao restabelecimento parcial do fornecimento de semicondutores. Lembrou que o custo do financiamento é alto: com juros de 30% ao ano, um financiamento em três anos faz o consumidor pagar praticamente dois carros. Hoje cerca de 70% das vendas são feitas a vista, situação inversa de três anos trás, quando sete em cada negócio tinha parte financiada.

Como se sabe, não só o Brasil, mas o mundo todo teve problema de falta de semicondutores, o que fez com que todas as fábricas reduzissem a produção. Apenas dois países apresentaram crescimento em 2022, mesmo assim, com índices minguados. A China cresceu 1,78% e a Alemanha 1,1%. O Brasil, com queda de 0,7%, foi o que menos perdeu. Teve um crescimento de 4,2% no setor de carros e comerciais leves, mas uma queda acentuada, de 20,4%, em caminhões e ônibus. No total, o mundo produziu 80,6 milhões de veículos em 2022, apenas 1,3 milhão a mais que no ano anterior.