Desempenho nacional foi o melhor do mundo no primeiro trimestre de 2026
Com um recorde histórico de 35,3 mil unidades, registrado em março, a virada da eletromobilidade tem um novo protagonista mundial: o Brasil. Os números do primeiro trimestre (83,9 mil unidades) confirmaram uma alta de 110% em relação ao mesmo período de 2025, comprovando que híbridos leves (sem recarga externa), híbridos plug-in e EVs são a nova preferência nacional. “São números espetaculares, que refletem o otimismo do mercado com a nova regulação para recarga em edifícios residenciais, no Estado de São Paulo, e que renovam o ambiente de confiança”, comemora o presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e diretor de relações institucionais da Grande Muralha (GWM), Ricardo Bastos. Em tendência contrária, os números globais somam quase 2,3 milhões de unidades, revelando uma queda de -7% no primeiro bimestre – sempre lembrando que a consolidação dos dados continentais do primeiro trimestre só acontece em maio, mas os números mundiais de janeiro e fevereiro servem de apontamento.
Com o fechamento do ranking nacional para o primeiro quarto deste ano, a participação dos modelos de novas energias sobe de 9% para 14%, chamando atenção o fato dos EVs puros, ou seja, os veículos 100% elétricos lideram em relação aos híbridos plug-in e aos híbridos sem recarga externa (14 mil unidades, em março, contra 12,3 mil e 8,9 mil, respectivamente). “A infraestrutura de recarga ainda se concentra, majoritariamente, nas regiões Sul e Sudeste, mas este cenário começa a mudar com o avanço de projetos que ampliam a disponibilidade nos Estados com maior lacuna infraestrutural”, pontua o sócio-diretor da PlugBRA, que vem implementando hubs de 340 kW (com dois carregadores rápidos de 80 kW e um ultrarrápido de 180 kW) na região Norte, Neto Hardman.
De volta às vendas, a dobradinha em alta tensão da BYD, formada por Dolphin e Dophin Mini, somou 19.320 unidades entre janeiro e março, número que os coloca na quinta posição do ranking brasileiro, atrás apenas do Fiat Strada (soma das sete versões com cabines simples e dupla), do Volkswagen Polo, do Chevrolet Onix e do Argo, cujas vendas diretas chegam a representar a maioria das comercializações. O terceiro modelo elétrico mais vendido do país foi o EX2, da Geely, que soma 2.474 unidades, das quais 1.157 foram emplacadas apenas no mês passado. Portanto, tudo indica que, até dezembro, seus limites monetários ultrapassarão os do Renault Boreal e Duster, além do Citroën Basalt – isso, para citar apenas aqueles que já o enxergam bem próximo pelo retrovisor.
Líderes de março
A lista dos modelos mais vendidos de novas energias, em março, ficou assim: no primeiro, BYD Dolphin Mini (7.053 unidades); em segundo lugar, BYD Song Pro (3.064 unidades); em terceiro lugar, GWM Haval H6 (3.055 unidades); em quarto, BYD Song Plus (1.990 unidades); em quinto, Toyota Yaris Cross Hybrid (1.890 unidades); em sexto, o BYD Dolphin (1.853 unidades); em sétimo, Omoda 5 (1.579 unidades); em oitavo, Toyota Corolla Cross Hybrid (1.548 unidades); em nono, o Corolla sedã Híbrido (1.486 unidades); em décimo, BYD King (1.274 unidades); e em 11º, o Geely EX2 (1.157 unidades). O desempenho dos modelos eletrificados no primeiro trimestre foi tão bom que, se subtrairmos seus volumes dos números do mercado brasileiro, as vendas nacionais registraram queda de -0,8%.
Ou seja, ao mesmo tempo em que híbridos leves, híbridos plug-in e EVs seguem ganhando terreno, com uma participação de 13,7% em março deste ano, contra 7,8% no mesmo mês de 2025, os modelos a combustão continuam perdendo espaço (-4,9 pontos percentuais) na preferência do consumidor. “No Brasil, o custo da transição para a eletromobilidade é consideravelmente menor do que o da inação. Um salto decisivo para os EVs, hoje, pode garantir resiliência econômica, sustentabilidade e competitividade global para as próximas décadas”, avalia o analista-chefe de novas energias da Carbon Tracker, iniciativa internacional que alinha mercados de capitais com metas climáticas, Ben Scott.
O especialista britânico chama a atenção para que o fato da eletricidade ser significativamente mais barato que a gasolina, no Brasil, tornando os EVs ainda mais competitivos. “A demanda deve, sim, disparar à medida que a percepção de economia em relação ao combustível fóssil se galvanize entre os consumidores. A adoção de motores flexíveis, que operam com etanol e gasolina misturada em qualquer proporção, indiretamente as importações de petróleo, mas não eliminou sua dependência. Neste ponto, a eletrificação continua sendo o melhor caminho para a segurança energética a longo prazo, para o país, e gastos menores para os usuários”, conclui Scott.
Apesar dos preços dos combustíveis fósseis estarem sob relativo controle no Brasil, em comparação com a inflação galopante registrada na Europa e nos Estados Unidos, após o início do conflito no Oriente Médio, a alta de 110% registrada no primeiro trimestre no país, é bem maior que de 54%, em Portugal; 50%, na França; 40%, na Romênia; e 39%, na Polônia, onde a virada da eletromobilidade se acelera, semanalmente. “A conjuntura mudou e temos o mercado mais otimista, estável e seguro tanto para os atuais donos quanto para os futuros proprietários de modelos eletrificados”, enfatiza Ricardo Bastos, da ABVE. Só não vê quem não quer.








