Subcompacto elétrico da Chery custa na China 62% do preço que é vendido no Brasil


O Chery QQ não é, exatamente, um automóvel bem afamado. Seja na China, seu mercado de origem, ou no Brasil, onde já foi ofertado em duas versões bem diferentes, o subcompacto é uma alternativa ao transporte coletivo, sem maiores pretensões. Mas desde o final do ano passado, quando o QQ Ice Cream, 100% elétrico, foi lançado como o primeiro EV ultramini da marca, as coisas mudaram – e para melhor. Antes de mais nada, é importante frisar que o QQ Wujie Pro de que vamos falar é uma espécie de irmão maior do Ice Cream, correspondendo à segunda geração do iCar vendido por aqui e que, na China, tem três denominações: eQ1, S51 EV ou @ant. Lá, suas vendas começam neste mês, com preços que partem de 79.990 yuanes (o equivalente a R$ 57.065) e chegam em 101.900 yuanes (R$ 72.700), valores até 62% inferiores aos do iCar “brasileiro” – do qual, frise-se, este lançamento corresponde à segunda geração.

O QQ Wujie Pro tem 3,40 metros de comprimento e é 20 cm maior que o iCar. Sua distância entreeixos é apenas 1 cm maior, mantendo as mesmas largura e altura do EV mais “barato” do Brasil. Seus maiores ganhos nesta nova geração se referem à autonomia, que agora chega a 408 quilômetros (alcance 45% maior) sem necessidade de recarga das baterias, e à potência, que saltou de o equivalente a 61 cv para 95 cv (70 kW). Nesta configuração mais avançada, o subcompacto vai de 0 a 50 km/h em 4,8 segundos e atinge a velocidade máxima de 125 km/h – além deste trem de força, há uma opção de entrada de 55 kW, com autonomia de 301 km. Em ambas variantes, tanto a tração quanto o motor elétrico são traseiros.

Visualmente, o QQ Wujie Pro – ou iCar Pro, para quem prefere – é bem diferente de seus antecessores. Seu estilo quadradinho é realçado pelos apêndices (“estribos” laterais e barras de teto) aventureiros e as enormes rodas (aro 16 polegadas) dão um toque de esportividade ao subcompacto. Sua plataforma, denominada @LIFE, é dedicada, totalmente feita em alumínio e a adoção de um processador Qualcomm 6155, de terceira geração e 1,9 GHz, permitiu a introdução do sistema de monitoramento panorâmico de 540 graus, que exibe imagens da parte baixa do veículo em uma função chamada de “transparent chassis”. Outros recursos são conexão Wi-Fi e 4G, navegador com comandos de voz e até karaokê.

Entrada de R$ 715

Por dentro, o QQ Wujie Pro traz console frontal limpo e saídas de ar que cobrem toda a largura do painel, posicionadas na sua parte mais alta. Atrás do volante multifuncional de dois raios fica o painel de instrumentos digital de sete polegadas, mas é a enorme tela touchscreen “flutuante”, no centro, que domina o ambiente – são duas opções, de 10,2 ou 12,9 polegadas. Já no capítulo segurança, destaque para duplo airbag e controle eletrônico de estabilidade como itens de série – ambos indisponíveis para o ultramini Ice Cream. As versões topo de linha contam com sistemas de assistência ao motorista como aviso de colisão frontal (sem frenagem de emergência autônoma) e desvio involuntário de faixa, além do monitoramento de ponto cego.

O pacote de baterias de lítio-ferrofosfato (ou fosfato de ferro-lítio, LFP) promete mais eficiência de descarga e carga, maior vida útil e capacidade de ciclo profundo, mantendo seu desempenho – ou seja, demorando mais para “viciar” que as de íon de lítio (óxido de cobalto, manganês, níquel e lítio, NMC). Como trata-se de um EV popular, ambas suas baterias podem ser carregadas em cerca de sete horas em tomadas de energia comuns, intervalo que pode ser acelerado com o uso de carregadores rápidos – neste caso, a recarga de 80% do pacote pode ser feita em apenas 30 minutos.

Para quem tem medo do fantasma comunista chinês, a boa notícia é que não há com o que se preocupar – pelo menos no que se refere a este lançamento. Exclusivo para o mercado doméstico, lá, os chineses podem pré-encomendar uma unidade por meio de “crowdsourcing”, depositando 999 yuans (o equivalente a R$ 715; isso mesmo, setecentos e quinze reais!), que dão direito a benefícios como uma “garantia vitalícia”, assistência rodoviária gratuita e lavagens durante um ano. Ou seja, deve haver algo de muito errado com o neoliberalismo “à brasileira”, porque estamos pagando R$ 150 mil pela geração anterior a essa…