Motoristas que pretendem tirar a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para carro ou moto precisam ficar atentos a uma nova exigência no processo de habilitação. Uma mudança na legislação passou a exigir a realização do exame toxicológico de larga janela de detecção também para candidatos das categorias A e B, além dos condutores profissionais das categorias C, D e E, que já eram obrigados a realizar o teste. A medida foi aprovada pelo Congresso Nacional com o objetivo de ampliar o controle sobre o uso de substâncias psicoativas entre motoristas e contribuir para a redução de acidentes de trânsito relacionados ao consumo de drogas.
O exame toxicológico é considerado diferente dos testes tradicionais de sangue ou urina porque possui uma janela de detecção mais ampla. A análise é feita a partir de amostras de cabelo ou de pelos do corpo e permite identificar o uso de determinadas substâncias em um período que pode variar de 90 a até 180 dias antes da coleta. Isso ocorre porque os metabólitos das drogas ficam depositados na queratina dos fios ao longo do tempo, permitindo que os laboratórios identifiquem o histórico de consumo mesmo meses depois do uso.
Segundo especialistas, essa característica faz com que o exame consiga avaliar o comportamento do motorista em um período mais longo, e não apenas o consumo recente. Em geral, quando a coleta é feita no cabelo, são analisados cerca de três centímetros próximos à raiz, o que corresponde aproximadamente a três meses de crescimento capilar. Já quando a coleta ocorre em pelos do corpo, como braços, pernas ou tórax, a detecção pode alcançar até seis meses.
Entre as substâncias pesquisadas no exame estão drogas que atuam diretamente no sistema nervoso central e que podem comprometer reflexos, atenção e capacidade de tomada de decisão ao volante. A lista inclui maconha, cocaína e seus derivados como o crack, anfetaminas e metanfetaminas — conhecidas popularmente como “rebites” — além de ecstasy e opiáceos como morfina, codeína e heroína. Mesmo o uso eventual dessas substâncias dentro da janela de detecção pode gerar resultado positivo no exame.
Por causa desse período de análise mais longo, especialistas alertam que quem pretende realizar o teste precisa ficar sem utilizar drogas por um período mínimo de cerca de três meses quando o material coletado é o cabelo. Caso a análise seja feita com pelos do corpo, esse intervalo pode chegar a aproximadamente seis meses. Dessa forma, evitar o consumo apenas poucos dias antes da coleta não impede que o exame identifique o uso anterior das substâncias.
A coleta do material é simples e indolor e pode ser realizada em laboratórios credenciados. Após a retirada da amostra, o material passa por processos laboratoriais de alta precisão capazes de identificar pequenas quantidades de metabólitos das drogas. Em geral, o resultado fica pronto em um prazo que varia entre cinco e sete dias úteis. A exigência do exame já fazia parte da rotina de motoristas profissionais e, com a ampliação da regra para novos condutores, a expectativa é que o controle sobre o uso de substâncias que afetam a direção se torne mais rigoroso no país.








