Consultor da K.Lume sinaliza também queda da inflação

Claudio Lucinda

A conjuntura econômica brasileira apresentou sinais mistos em setembro, com alguma desaceleração no ritmo de crescimento econômico e pressões inflacionárias persistentes. O cenário externo desfavorável e a elevação da taxa Selic contribuíram para a manutenção do câmbio depreciado e para expectativas de menor dinamismo da atividade industrial em relação ao início do ano. Por outro lado, o mercado de trabalho sustenta taxas de desemprego historicamente baixas, possibilitando certa resiliência do consumo das famílias.

A avaliação é de Cláudio Ribeiro de Lucinda, novo analista de macroeconômicas e suas implicações no mercado automobilístico da K. Lume Consultoria.

Ele considera que as projeções macroeconômicas refletem essa dinâmica, com uma esperada desaceleração do PIB, que deve crescer 2,16% em 2025 e se acomodar em taxas mais baixas nos anos seguintes – 1,8% em 2026 e 1,93% em 2027.

“A atividade industrial tende a apresentar crescimento modesto, refletindo a combinação entre juros elevados e demanda global fragilizada. O câmbio deve permanecer em patamar elevado, acima de R$ 5,50, o que mitiga ganhos de competitividade externa, mas amplia o custo de importações”, disse o consultor, desatacando que no âmbito inflacionário, o IPCA deve encerrar 2025 em 4,8%, acima da meta, mas há expectativa de convergência gradual para 4,3% em 2026 e 3,9% em 2027, em função da política monetária contratada e do arrefecimento da demanda. Ainda assim, a inflação corrente segue pressionada por repasses do câmbio e choques de oferta, exigindo cautela na condução da política de juros. O ambiente incerto, contudo, ainda pode prolongar a trajetória de desinflação caso haja choques adicionais de preços administrados ou alimentos.