Balanço do primeiro trimestre traz volume global de 2,05 milhões de unidades e revela queda de 4% nas vendas do Grupo VW; Brasil, com alta de 22% é, hoje, tábua de salvação para a companhia

As vendas globais do Grupo Volkswagen caíram 4% no primeiro trimestre deste ano, com perdas de 20% nos Estados Unidos e 15%, na China, maior mercado do mundo e onde os consumidores, simplesmente, abandonaram a Porsche – atrás da Grande Muralha, a retração comercial da marca de prestígio do grupo chegou a quase 22%. “Estamos repensando nossa estratégia. Planejamos novos cortes de pessoal e consideramos o lançamento de um modelo acima do 911, como forma de aumentar nossas margens de lucro”, afirmou o presidente-executivo (CEO) da Porsche, Michael Leiters, que garantiu, em janeiro, uma bomba lançada por Oliver Blume. Além de cortar empregos, enquanto cogita um novo esportivo ainda mais caro que o 911, a marca também anunciou a redução dos investimentos em veículos elétricos, após uma aposta “excessivamente ambiciosa” para uma montadara que – todos com o mínimo de discernimento já perceberam – não tem expertise para competir com as startups chinesas entre os EVs. Na prática e para bom entendimento, a VW se assume, na Europa, como um fabricante de modelos a combustão, do século passado, e mesmo que seus executivos “brasileiros” disfarcem ou até tentem negar a realidade, não para subverter nem desmentir os chefões alemães.
“O primeiro trimestre de 2026 foi caracterizado por condições econômicas e geopolíticas muito desafiadoras”, justifica o membro do comitê executivo do Grupo VW e diretor de vendas da Audi, Marco Schubert, acrescentando que o mercado automotivo global estava “em declínio”. De fato, a marca das quatro argolas também vai de mal a pior, com queda global de 12%, igualmente puxada pela retração na China. “No final deste mês, apresentaremos novos EVs no Salão do Automóvel de Pequim, desenvolvidos em parceria com companhias locais. Temos que recuperar terreno em meio a uma guerra de preços que comprime as margens de lucros”, reconhece Schubert.
Audi e novo Q3 natimorto
No Brasil, onde as vendas da Volks cresceram 22% entre janeiro e março (de 78,8 mil para 97 mil unidades), comparados às do mesmo intervalo de 2025, a estratégia é manter as coisas como estão, já que os modelos a combustão interna mantêm em alta tanto os volumes quanto as remessas de lucros para a matriz. O mesmo não se pode dizer da Porsche, que viu seu volume nacional encolher 33%, mesma tendência registrada pela Audi, que despencou 48%. “Estamos animados com a entrada de uma nova fase em nossa fábrica de São José dos Pinhais (PR), onde já iniciamos a montagem – em regime de ‘completamente derrubado’ ou CKD, cabe frisar – da terceira geração do Q3”, destaca o diretor executivo e comercial (CFO) da subsidiária brasileira, Philippe Siffert.
O otimismo de Siffert só pode ser explicado pela condescendência do consumidor tupiniquim, já que o novo Q3 oferecido em Portugal, por exemplo, apenas em versões micro-híbridas (MHEV) e plug-ins híbridos, manterá o “consagrado” 2.0 TFSI por aqui. Em outras palavras, a Audi pretende se reerguer no Brasil com um modelo natimorto, defasado em relação à concorrência chinesa e que, mesmo inferior em termos tecnológicos, de desempenho e eficiência, terá preços pelo menos 50% mais altos – mas, como diz o ditado: “enquanto existe cavalo, São Jorge não anda a pé”. Como é de esperar para quem conhece a benevolência do brasileiro em relação a quem o faz de trouxa, não duvido que os concessionários da Audi tenham filas, quando as vendas começarem. Vai entender…








