Denominado QQ3 EV, compacto 100% elétrico traz assistente de condução com funções semiautônomas, e tem consumo de eletricidade equivalente a 77,5 km/l


Muitos leitores devem se lembrar do Chery QQ, um dos primeiros modelos chineses a alcançar grande volume comercial, no Brasil. Por aqui, ele foi vendido entre 2011 e 2020, com a segunda geração do subcompacto sucedendo a primeira, em 2015 – inclusive com produção nacional, em Jacareí (SP). É verdade que o modelo sofreu por aqui, encarando com dificuldade condições de rodagem que as antigas montadoras ocidentais já conheciam bem e há muito tempo. Mas as coisas mudaram e, agora, a Chery inicia a pré-venda da terceira geração, batizada de QQ3 EV, que chega ao mercado chinês com mais espaço, tecnologia, segurança e eficiência, por preços que partem de inacreditáveis R$ 52.400 (68.920 yuans). Bem mais encorpado que seus antecessores, o modelo 2026 troca os antigos motores a combustão (de 0.8, 1.0 ou 1.1 litro, dependendo da versão) por uma unidade elétrica com até 121 cv de potência e consumo de eletricidade, frise-se, equivalente a incríveis 77,5 km/l – 11.5 kWh para cada 100 quilômetros rodados. Seu alcance, sem necessidade de recarga das baterias, é de 310 km ou até 420 km, na opção topo de linha.

Por fora, o QQ cresceu – e muito. O lançamento tem 4,19 m de comprimento (mais de 60 cm maior que seus antecessores), 1,81 m de largura (quase 20 cm a mais que a segunda geração) e 1,57 m de altura, com uma distância entreeixos de 2,70 m (24 cm maior que seus antecessores). Sob o capô, há um bagageiro de 70 litros e, na traseira (onde fica o motor) o porta-malas tem capacidade volumétrica de 375 l – ambos têm acionamento elétrico. Entre os bancos de trás, há um porta-objetos de 35 l, além de outros 37 espaços para motorista e passageiros juntarem todo o quanto há.

Em termos construtivos, o QQ3 EV usa aço de alta resistência em 72% de estrutura e traz sistema multilink, na suspensão traseira – algo realmente louvável para sua classe. As baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP) são fornecidas pela Gotion, sexta maior fornecedora do mundo, e a recuperação de energia de 30% a 80% da capacidade leva menos de 17 minutinhos. Já em termos visuais, esta terceira geração assume a identidade de um hatchback “clássico”, digamos assim, com a seção dianteira fechada (sem grade) e faróis de LEDs com desenho que remete à letra “Q”. Toda a lateral baixa, incluindo as caixas de roda, traz molduras pretas – uma remissão aos SUVs.


TECNOLOGIA

Dentro do Chery QQ3 EV, destaque para a tela central de 15,6 pol com resolução de 2.5K – o quadro de instrumentos se resume a um modesto visor LCD. O seletor da transmissão fica atrás do volante de dois reais e o sistema de infoentretenimento, que integra o Carmind, possui assistente de voz por IA. No Brasil, onde os automóveis ainda são analógicos, não se dá muita importância à capacidade de processamento do veículo, mas na China, que está anos-luz à frente de nós quando se fala de condução autônoma, o chip Snapdragon 8155 embarcado nesta terceira geração é um diferencial e tanto. Com 105K DMIPS, ele reconhece comandos de voz e por gestos, controlando as funções do Falcon 500, que suporta mais de 100 cenários de estacionamento automático, além do sistema NOA de navegação semiautônoma com controle de cruzeiro adaptativo, centralização de faixa com assistente de mudança para ultrapassagens, acesso e saída de rodovias.

Como se vê, não existe a menor comparação entre o QQ3 EV e o Kwid E-Tech (a partir de R$ 100 mil) da Renault brasileira, até porque o lançamento da Chery custa a metade do preço, muito menos em relação ao Mobi Like (R$ 82 mil), da Fiat, e ao C3 Live (R$ 77 mil), da Citroën – me nego a compará-lo ao Kwid Zen, de R$ 79 mil, porque não considero o subcompacto de origem indiana um “automóvel” na acepção do preço que cobra e da palavra.

A Chery atua no mercado brasileiro por meio da CAOA e, desde que o subcompacto iCar foi descontinuado, por aqui, a marca foca o segmento dos SUVs com os Tiggo 5X, 7 e 8. Há, portanto, espaço para a volta do QQ, quanto mais desta terceira geração que em nada lembra as anteriores e em um momento favorabilíssimo para EVs “de entrada”, no país. Oportunidade melhor para o relançamento do modelo não há, mas, sempre é bom lembrar, a operação teria que ser viabilizada pelo representante nacional e não sabemos se, atualmente, o casamento entre fabricante e concessionário vive uma lua-de-mel ou a véspera de um divórcio litigioso. De qualquer forma, o consumidor deve tomar ciência deste tipo de lançamento, até para enxergar o quão vem sendo espoliado pelas antigas marcas ocidentais.