Um radar em São Paulo, na avenida Prestes Maia, emitiu uma média de 360 multas por dia no período janeiro-março deste ano.

Os motoristas que trafegam naquele local seriam mais desrespeitosos em relação à legislação do que os demais motoristas da cidade? Claro que não, o que ocorre é uma avaliação errada das autoridades de trânsito sobre o hábito do tráfego naquela via.

Para definir a velocidade máxima permitida numa via, as autoridades de trânsito consideram diversos fatores, como quantidade de faixas na via, cruzamentos, condições do pavimento, geometria da estrada, histórico de acidentes, presença de pedestres, ciclistas, transporte público, acesso a comércios, escolas, hospitais e por aí vai. Os critérios são muitos.

Mas um dos principais deles é a velocidade praticada quando os veículos circulam em condições de fluxo livre. Os estudos de engenharia de tráfego incluem medições da velocidade praticada por 85% dos motoristas, o que se chama de velocidade percentil, ou a consideração do hábito do tráfego no local.

O critério principal para estabelecer o limite de velocidade é a segurança, mas um volume tão grande de multas é sinal de que as autoridades precisam rever os parâmetros usados no local.